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Carlos Vaz Ferreira nasceu em Montevidéu em 15 de outubro de 1872. A irmã, María Eugenia Vaz Ferreira, virou uma das poetas mais lidas do Uruguai. A casa da família reunia livros, música e conversa sobre ideias.
Ele estudou direito na Universidade da República. Em 1897, aos 24 anos, ganhou por concurso a cátedra de filosofia do ensino secundário da universidade. Foi o começo de uma vida inteira de aula.
A formação dele foi positivista. No fim do século XIX, a filosofia dominante nas salas de Montevidéu vinha do inglês Herbert Spencer, que explicava tudo pela evolução, da biologia à moral. O jovem professor leu Spencer a fundo e, com os anos, foi se afastando do esquema único.
Em 1908 publicou dois livros: Moral para Intelectuais, sobre os deveres de quem estuda, e Conhecimento e Ação, sobre a distância entre saber e agir. Dois anos depois veio Lógica Viva, o livro que o fez conhecido fora do país.
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A universidade criou uma cátedra só para ele falar.
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Em 1913, o governo uruguaio instituiu para Vaz Ferreira uma cátedra de conferências: um posto sem programa fixo, em que ele escolhia o tema e falava ao público aberto. Ocupou o lugar por décadas. Muitas das ideias dos livros posteriores nasceram nessas falas, anotadas por ouvintes.
Foi também administrador. Exerceu o cargo de reitor da Universidade da República em mais de um mandato e, em 1945, participou da criação da Faculdade de Humanidades e Ciências, que dirigiu como decano.
O livro mais pessoal dele saiu em 1938, com o título Fermentário. Reunia notas soltas, pensamentos em estado de fermentação, como diz a palavra. O formato combinava com o método: ideias deixadas abertas para o leitor pesar, sem doutrina fechando o volume.
Os alunos guardaram uma marca do estilo dele. Vaz Ferreira hesitava em público, voltava atrás numa frase, corrigia o exemplo diante da plateia. Eles contavam o hábito como traço de honestidade, e ele mesmo defendia a dúvida pensada como parte do raciocínio.
Morreu em Montevidéu em 3 de janeiro de 1958, aos 85 anos. As obras completas foram editadas pela Câmara de Representantes do Uruguai a partir de 1957, em 25 volumes.
Lógica Viva segue em catálogo no espanhol original, mais de um século depois da primeira edição.
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