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Plotino nasceu por volta de 205 no Egito, então província do Império Romano. O historiador Eunápio, no século IV, aponta a cidade de Licópolis, no vale do Nilo. Plotino mesmo nunca confirmou: recusava falar de pais, de pátria e da data do próprio nascimento.
Porfírio abre a biografia do mestre por esse silêncio:
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“Plotino, o filósofo do nosso tempo, parecia envergonhado de estar num corpo.”
Porfírio, Vida de Plotino, por volta de 301
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Aos 28 anos, em Alexandria, procurou um professor que o satisfizesse. Saiu decepcionado de várias aulas até um amigo levá-lo a Amônio Sacas, um mestre de quem não sobrou nenhuma linha escrita. Plotino ficou onze anos com ele.
Em 243, juntou-se ao exército do imperador Gordiano III, que marchava contra a Pérsia. Queria conhecer a filosofia dos persas e dos indianos. O imperador foi assassinado pelas próprias tropas na Mesopotâmia, e Plotino escapou a custo até Antioquia.
Chegou a Roma em 244, com cerca de 40 anos. Ficou ali até o fim, ensinando na casa de Gemina. Amigos o escolhiam como tutor dos filhos órfãos e lhe confiavam a herança deles. Ele conferia as contas com cuidado, para os meninos não perderem nada.
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Plotino recusou posar para um pintor, e o retrato saiu escondido.
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O aluno Amélio queria uma imagem dele. Plotino respondeu que já bastava carregar a imagem que a natureza lhe dera, sem fazer uma imagem da imagem. Amélio então levou o pintor Carterio às aulas. O artista assistiu várias vezes, guardou o rosto na memória e pintou em casa.
Plotino teve um projeto de cidade. Pediu ao imperador Galieno uma cidade abandonada na Campânia, no sul da Itália, para refundá-la sob as leis de Platão, com o nome de Platonópolis. Galieno chegou a aprovar. Homens da corte barraram o plano, por inveja ou desconfiança, segundo Porfírio, e a cidade nunca saiu do papel.
O corpo cobrou caro nos últimos anos. Plotino perdeu a voz, a vista enfraqueceu e as mãos e os pés se cobriram de feridas. Os alunos se afastaram por medo de contágio. Ele se retirou para a propriedade de um amigo na Campânia e se foi em 270, aos 66 anos.
Porfírio publicou os 54 tratados por volta de 301, organizados em seis livros de nove. O título, Enéadas (do grego ennea, nove), vem dessa conta.
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