|
Charles Sanders Peirce nasceu em 10 de setembro de 1839, em Cambridge, Massachusetts. O pai, Benjamin Peirce, era o matemático mais respeitado de Harvard e treinou o filho em casa, com problemas de lógica e partidas de cartas até tarde da noite.
Aos doze anos, o menino achou no quarto do irmão mais velho um manual de lógica do inglês Richard Whately e o leu em poucos dias. Dali em diante, contava ele, nunca mais pensou em outro assunto.
Formou-se em Harvard em 1859, com notas medianas. Em 1863 voltou à mesma escola e saiu com o diploma de química e a láurea máxima da turma.
O emprego veio do governo. De 1859 a 1891, trabalhou no Coast Survey (o serviço federal de levantamento da costa dos Estados Unidos), primeiro como ajudante e depois como cientista.
A tarefa dele era medir a gravidade com pêndulos, em estações espalhadas pela América e pela Europa. Um pêndulo balança mais rápido onde a gravidade é mais forte, e as diferenças revelam a forma da Terra.
Nos anos 1870, ele percebeu um defeito escondido. O suporte do pêndulo também balançava, de leve, e contaminava as medidas feitas na Europa com o mesmo aparelho.
|
O erro morava no suporte.
|
O laboratório marcou a filosofia dele. Toda medida trazia margem de erro, e a medida seguinte podia desmentir a anterior. Peirce deu nome a essa postura: falibilismo (a tese de que qualquer conhecimento pode estar errado).
Em 1872, em Cambridge, ele se reunia com amigos num grupo chamado, meio de brincadeira, de Clube Metafísico. Frequentavam as reuniões William James, futuro psicólogo, e Oliver Wendell Holmes Jr., futuro juiz da Suprema Corte americana.
Ali Peirce apresentou as ideias dos artigos de 1877 e 1878. O segundo, Como Tornar Claras as Nossas Ideias, propôs o teste do pragmatismo (medir o sentido de uma ideia pelos efeitos práticos dela).
O nome só ficou famoso em 1898, quando William James o usou numa palestra na Califórnia e deu o crédito ao amigo. Em 1905, irritado com o uso solto do termo pelos outros, Peirce batizou a própria versão de outro jeito.
|
“Pragmaticismo, feio o bastante para ficar a salvo de sequestradores.”
Charles Sanders Peirce, O Que é o Pragmatismo, 1905
|
Os últimos anos foram em Milford, na Pensilvânia, numa casa que ele batizou de Arisbe. Sem salário fixo, escrevia verbetes para dicionários e passava frio nos invernos. William James organizou uma coleta entre amigos para sustentá-lo.
Peirce faleceu em 19 de abril de 1914, com câncer, aos 74 anos. A viúva, Juliette, vendeu os manuscritos ao departamento de filosofia de Harvard, onde estão até hoje.
|