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Nishida Kitaro nasceu em 19 de maio de 1870, em Unoke, vila da província de Ishikawa, na costa do mar do Japão. O pai era um chefe local de família abastada, e a fortuna se perdeu durante a juventude do filho.
Estudou na Universidade Imperial de Tóquio como aluno especial, uma categoria inferior reservada a quem não tinha o diploma do curso regular. Ele contou depois a humilhação de usar uma biblioteca separada da dos alunos comuns.
Formado em 1894, passou anos em empregos de professor em escolas de interior. Em 1899 assumiu a cadeira de psicologia, lógica, ética e alemão na Quarta Escola Superior, em Kanazawa.
Nos mesmos anos, praticou zazen (meditação sentada da escola zen) com dedicação de monge. O diário dele registra sessões diárias e retiros longos no templo Senshin-an, sob o mestre Setsumon.
Em 1903, o mestre Kōshū, de Kyoto, aprovou a resolução de um koan (pergunta paradoxal usada no treino zen), o koan da palavra mu, ou nada. Nishida anotou no diário a pouca alegria com a aprovação.
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Nishida meditava de madrugada e lia William James à tarde.
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Os capítulos de Um Estudo sobre o Bem nasceram como apostilas para os alunos de Kanazawa. Alguns saíram antes em revistas de filosofia, entre 1907 e 1909, e chamaram a atenção de professores de Kyoto.
Em 1910 ele foi contratado pela Universidade Imperial de Kyoto. Em 1913 virou professor titular de filosofia e lá ficou até se aposentar, em 1928.
A vida pessoal foi dura. Nishida perdeu um irmão na guerra contra a Rússia, em 1904, e enterrou vários filhos ainda jovens. A esposa, Kotomi, ficou paralisada por um derrame em 1919 e faleceu em 1925.
Em Kyoto, Nishida fazia o mesmo trajeto a pé, todo dia, à beira de um canal no bairro de Higashiyama. O caminho ganhou depois o nome de Tetsugaku no Michi, o Caminho da Filosofia, e hoje recebe turistas na época das cerejeiras.
Ao redor dele formou-se a Escola de Kyoto, com alunos como Tanabe Hajime e Nishitani Keiji. O grupo tentou pensar com as ferramentas da filosofia europeia problemas herdados do budismo.
Nishida faleceu em 7 de junho, em 1945, em Kamakura, de uma infecção renal, dois meses antes do fim da guerra no Pacífico. O papel dele durante o militarismo japonês segue discutido: alguns textos da época se aproximam da linguagem oficial do império, e os estudiosos divergem sobre quanto ele concordava e quanto tentava suavizar.
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