|
Moisés ben Maimon nasceu em Córdoba, na Espanha muçulmana, em 1138, filho do juiz rabínico Maimon. Quando ele tinha uns dez anos, os almóadas, dinastia berbere de islã rigoroso, tomaram a cidade e deram aos judeus três escolhas: conversão, exílio ou a espada.
A família vagou pela Andaluzia, viveu em Fez, no Marrocos, passou pela Terra de Israel em 1165 e se fixou em Fustat, a cidade velha do Cairo, no Egito.
O irmão David sustentava a casa comerciando pedras preciosas no Oceano Índico. Num naufrágio, afundou com a fortuna da família. Maimônides conta numa carta que passou cerca de um ano de cama, abatido pela perda.
Virou médico. Serviu à corte do vizir al-Qadi al-Fadil, braço direito do sultão Saladino. Numa carta ao tradutor Samuel ibn Tibbon descreve a rotina: ia ao palácio de manhã, voltava à tarde faminto e achava a antessala cheia de pacientes, judeus e muçulmanos, até a noite.
Ao mesmo tempo chefiava a comunidade judaica do Egito e era o maior jurista da época. Em 1168 terminou o comentário à Mishná (a primeira codificação da lei oral judaica), em árabe, com os treze princípios da fé; o terceiro afirma que Deus não tem corpo.
Em 1180 concluiu a Mishné Torá (Repetição da Lei), um código em 14 livros, escrito em hebraico, que ordenava a lei inteira sem citar a fonte de cada regra.
|
O jurista que pôs a lei inteira em 14 livros escreveu o Guia para quem duvidava dela.
|
O Guia saiu de uma relação de mestre e aluno. José ben Judá ibn Aknin chegou do Marrocos, estudou com ele lógica e astronomia e partiu para Alepo, na Síria. Maimônides dedicou o livro a ele e mandou os capítulos por carta.
A língua foi o judeo-árabe (árabe escrito em letras hebraicas), o idioma cotidiano dos judeus do mundo islâmico. A escolha guardava o texto de olhos muçulmanos e o deixava fora do alcance de quem só lia hebraico.
Na introdução, ele avisa que espalhou contradições de propósito pelo livro. O leitor sem preparo em lógica e física se perderia nelas; o perplexo de fato acharia o caminho.
Samuel ibn Tibbon, na Provença, traduziu a obra para o hebraico com o título Moré Nevukhim e terminou o trabalho em 1204. Maimônides se foi em Fustat em dezembro daquele ano. Segundo a tradição, o corpo seguiu para Tiberíades, na Galileia, onde o túmulo recebe visitantes até hoje.
|