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Filippo Bruno nasceu em 1548 em Nola, cidade pequena perto de Nápoles. O pai era soldado. Aos 17 anos, o rapaz entrou no convento dominicano de San Domenico Maggiore, em Nápoles, e ganhou o nome de Giordano.
O convento tinha uma das melhores bibliotecas do reino. Bruno leu Aristóteles, Tomás de Aquino e os neoplatônicos, e ficou famoso pela memória. Chegou a ser levado a Roma para mostrar ao papa Pio V a técnica de lembrar textos inteiros.
A leitura também trouxe problemas. Em 1576, os superiores abriram processo contra ele por opiniões suspeitas. Descobriram ainda que tinha jogado na latrina um comentário de Erasmo, autor proibido, para escondê-lo.
Bruno largou o hábito e fugiu. Passou pelo norte da Itália, chegou a Genebra em 1579 e brigou com os calvinistas. Escreveu um panfleto contra um professor da cidade, foi preso e excomungado pela Igreja reformada.
Seguiu para Toulouse, onde ensinou filosofia por dois anos, e em 1581 chegou a Paris. Ali a memória abriu portas. O rei Henrique III quis saber se a técnica era magia, ouviu as explicações e deu a Bruno um posto de leitor.
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A memória pagava o caminho.
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Em 1583, com cartas de recomendação do rei, Bruno atravessou para a Inglaterra. Morou dois anos na casa do embaixador Michel de Castelnau e escreveu ali seis diálogos em italiano, os livros mais ousados da vida dele.
Em 1585 voltou a Paris e depois rodou pela Alemanha: Wittenberg, Praga, Helmstedt, Frankfurt. Em cada cidade, ensinava, publicava e arrumava um inimigo novo. Os luteranos de Helmstedt também o excomungaram.
Em 1591, aceitou o convite de um nobre de Veneza que queria aprender a arte da memória. Um ano depois estava preso. A Inquisição de Veneza o entregou a Roma, e o processo durou quase oito anos.
Os juízes pediram que ele renegasse as teses. Bruno ofereceu recuar em pontos de fé e recusou abrir mão dos mundos infinitos. Em 8 de fevereiro de 1600, ouviu a sentença de joelhos e respondeu aos cardeais.
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“Talvez vocês pronunciem esta sentença com mais medo do que eu a recebo.”
Giordano Bruno, frase aos juízes, registrada por Kaspar Schoppe em carta de 1600
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Em 17 de fevereiro de 1600, foi levado ao Campo de' Fiori, em Roma, com a língua presa por uma mordaça, e queimado em público. Os livros entraram no Índice dos proibidos.
Em 1889, estudantes e livres-pensadores ergueram uma estátua de bronze dele na mesma praça, obra do escultor Ettore Ferrari. O rosto, sob o capuz, está virado para o Vaticano.
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