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Friedrich Ludwig Gottlob Frege nasceu em 8 de novembro de 1848 em Wismar, cidade portuária no norte da Alemanha, à beira do Báltico. O pai dirigia uma escola para moças. Quando o pai se foi, em 1866, a mãe assumiu a direção da escola.
Frege estudou matemática, física, química e filosofia em Jena e depois em Göttingen, onde defendeu o doutorado em 1873 com uma tese de geometria. Em 1874 voltou a Jena como professor. Ficou ali o resto da carreira, quase 45 anos.
Era um professor discreto, de poucos alunos. Um deles, anos depois, ficou famoso: Rudolf Carnap assistiu às aulas dele entre 1910 e 1914 e contou que a sala tinha às vezes três ouvintes.
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O projeto de Frege era mostrar que a aritmética inteira sai da lógica pura, sem apelo à intuição.
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Para isso, a língua comum não servia. Ela é ambígua, mistura sentidos e esconde a estrutura dos argumentos. Em 1879, Frege publicou um livro de 88 páginas com uma notação nova: Begriffsschrift (Conceitografia). Ali nasceu a lógica moderna dos quantificadores, o “para todo” e o “existe” que hoje aparecem em qualquer curso de lógica.
O livro foi mal recebido. Os resenhistas reclamaram da notação, desenhada em duas dimensões, com traços horizontais e verticais que ocupavam a página inteira. Quase ninguém entendeu o que havia ali.
Em 1884 veio Die Grundlagen der Arithmetik (Os fundamentos da aritmética), escrito em prosa, sem a notação. Frege pergunta o que é o número 1 e mostra que as respostas dos matemáticos da época eram vagas ou contraditórias.
O artigo sobre sentido e referência saiu em 1892, na Zeitschrift für Philosophie und philosophische Kritik (Revista de filosofia e crítica filosófica). Ele preparava o terreno para a obra maior: Grundgesetze der Arithmetik (Leis fundamentais da aritmética), cujo primeiro volume saiu em 1893.
Em junho de 1902, com o segundo volume já na gráfica, chegou uma carta de um jovem inglês, Bertrand Russell. Ele mostrava que um dos axiomas de Frege levava a uma contradição: o conjunto de todos os conjuntos que não pertencem a si mesmos.
Frege respondeu poucos dias depois e acrescentou um apêndice ao livro.
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“Dificilmente pode acontecer a um escritor científico algo mais indesejável do que ver ruir um dos fundamentos de seu edifício depois de terminado o trabalho.”
Gottlob Frege, Leis fundamentais da aritmética, volume II, 1903
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Ele se aposentou em 1918 e se mudou para Bad Kleinen, perto de Wismar. Deixou a vida em julho de 1925, quase desconhecido fora de um círculo pequeno. Os manuscritos dele foram para a Universidade de Münster, e boa parte se perdeu num bombardeio em 1945.
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