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Wang Chong nasceu no ano 27, em Shangyu, na comenda de Kuaiji, no sudeste da China, perto da atual Hangzhou. A família vinha de soldados e mercadores. O avô e o pai tinham fama de briguentos e mudaram de cidade fugindo de inimigos.
O pai faleceu cedo. A mãe e os parentes mandaram o menino estudar, e a fama de bom aluno o levou à capital, Luoyang, onde entrou na Academia Imperial, a escola que formava funcionários do Estado.
Lá estudou com Ban Biao, historiador da corte e pai do autor do Livro dos Han. O professor ensinava os clássicos confucianos, e Wang Chong não tinha dinheiro para comprá-los.
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Ele lia os livros de pé, nas bancas do mercado.
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As biografias contam a cena. O estudante passava horas entre os vendedores de Luoyang, lendo rolos de bambu sem pagar, e guardava de memória o que tinha lido. Saía dali sabendo de cor textos das cem escolas, não só dos confucianos.
Voltou para Kuaiji e ganhou cargos pequenos: secretário de distrito, auxiliar de comenda, assessor de governador. Em todos discordou dos superiores, mandou memoriais com críticas e acabou saindo. A carreira nunca passou do nível provincial.
Fora do cargo, ensinou alunos em casa e escreveu. Diz-se que espalhou pincéis e tábuas de escrita pelos cômodos e pelas janelas, para anotar uma ideia onde ela aparecesse. O Lunheng cresceu assim, em décadas, até ter 85 capítulos.
O livro tem um capítulo de autobiografia, o último. Nele Wang Chong responde aos críticos do próprio estilo: escreve claro de propósito, porque um argumento só vale se o leitor comum consegue segui-lo.
Na velhice, pobre, escreveu um tratado sobre como alimentar a vida, com dieta e controle das paixões, para durar mais. Um amigo o recomendou ao imperador Zhang, que mandou chamá-lo para a corte. Wang Chong estava doente e não foi.
Os contemporâneos quase não o citam. Nenhum letrado da capital respondeu ao Lunheng por escrito enquanto o autor vivia, e o nome dele não aparece nos debates oficiais sobre os clássicos realizados no Pavilhão do Tigre Branco, em 79.
Faleceu por volta do ano 97, em casa, sem herdeiro conhecido. O livro ficou com a família, em Kuaiji, longe dos letrados da capital.
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