Sponsored by

Filosofia do Dia   Filosofia do Dia
ED 074
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Em 1940, Simone Weil leu a Ilíada como um aviso

No ensaio A Ilíada ou o poema da força, Simone Weil mostra a força transformando gente em objeto e embriagando quem a empunha.

Andrômaca deixa cair a lançadeira do tear enquanto a água ferve na trípode.

O banho quente de Heitor

▼
 

Força: “vigor físico; capacidade de agir sobre algo ou alguém” (Dicionário Houaiss). Na definição, a força pertence a quem age. Faltam o lado de quem recebe o golpe e o estrago que ela faz na mão que o desfere.

No canto 22 da Ilíada, Andrômaca, mulher do príncipe troiano Heitor, está em casa, tecendo um manto de cor púrpura. Ainda não sabe do combate travado diante das muralhas de Troia.

Ela chama as servas e manda pôr no fogo uma grande trípode (caldeirão apoiado em três pés). Quer água quente pronta para o banho do marido quando ele voltar da batalha.

Heitor não volta. Lá fora, Aquiles acabou de atravessar o pescoço dele com a lança. Ainda consciente, o troiano pede que o corpo seja devolvido aos pais em troca de ouro. Aquiles recusa.

Depois fura os tendões dos dois pés do cadáver, passa correias de couro pelos furos, amarra o corpo ao carro e chicoteia os cavalos. A cabeça de Heitor bate na poeira diante da cidade inteira.

Homero comenta a cena da casa com um verso seco: o marido jazia longe dos banhos quentes. Andrômaca ouve os gritos vindos da muralha, deixa cair a lançadeira do tear e corre para ver.

Por quase três mil anos, a passagem foi lida como drama de heróis. Os manuais escolares celebravam a fúria de Aquiles, a coragem de Heitor e a glória dos gregos diante de Troia.

Em 1939, com a França às vésperas de outra guerra, uma professora francesa de filosofia leu o mesmo trecho no original grego e parou na água quente. Para ela, o banho esquecido dizia mais sobre a guerra do que a lança.

Ela viu naquela panela no fogo a primeira página de um ensaio sobre o assunto verdadeiro do poema. Aquiles e Heitor ficariam em segundo plano.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Unify Your Teams and Tech Stack With HubSpot

Connect your customer data, teams, and tools without the hassle of complex integrations or lengthy setups. One easy platform gives marketing, sales, and service teams a unified customer view and the tools to turn it into growth.

Why HubSpot and what's new
• Generate leads and automate marketing with Marketing Hub
• Build your pipeline and close more deals with Sales Hub
• Scale customer support and drive retention with Service Hub
• Keep customer data clean, connected, and actionable with one, unified platform

Join 306,000+ in over 135 countries using HubSpot to grow their businesses.

See what a more connected approach to growth can do for you and your team. Get setup quickly and start checking off your hardest tasks.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  A ideia do dia

A força que petrifica

A resposta de ontem

Por que a Johns Hopkins dispensou Peirce em 1884?

O astrônomo Simon Newcomb, colega e desafeto de Peirce, contou a um curador da Johns Hopkins que ele vivera com Juliette Froissy antes de sair o divórcio da primeira esposa, Zina Fay, em 1883. Os curadores fecharam o cargo e não renovaram o contrato. O episódio está na biografia escrita por Joseph Brent, publicada em 1993.

Simone Weil escreveu A Ilíada ou o poema da força entre 1939 e 1940. O ensaio saiu em duas partes na revista Cahiers du Sud (Cadernos do Sul), de Marselha, nos números de dezembro de 1940 e janeiro de 1941, assinado por Émile Novis.

A primeira frase troca o protagonista da epopeia. Para Weil, o verdadeiro herói da Ilíada é a força. Aquiles, Heitor e Agamêmnon apenas a carregam por algum tempo, e ela passa de mão em mão.

“A força é o que transforma em coisa qualquer um que lhe esteja submetido.”

Simone Weil, A Ilíada ou o poema da força, 1940

Weil leva a definição ao pé da letra. O caso mais simples é o cadáver: a força faz de um homem um corpo que os cavalos arrastam. Heitor, puxado pela poeira, já não responde a ninguém.

Mas o ensaio insiste num grau mais cruel, a força que transforma em objeto quem ainda respira. Weil descreve três estágios, do mais visível ao mais escondido.

1. O cadáver: o homem vira peso, como Heitor amarrado ao carro diante de Troia.

2. O suplicante: o vivo de joelhos, que ainda fala, mas cuja vida depende de um gesto alheio.

3. O escravo: o vivo que perdeu a vida interior e obedece sem escolher, como a cativa levada para servir no palácio do vencedor.

O exemplo do suplicante vem do canto 21. Licáon, filho do rei Príamo, abraça os joelhos de Aquiles e implora pela vida. Aquiles saca a espada e o atinge junto ao pescoço. Diante da lâmina, nota Weil, Licáon já tinha deixado de ser alguém para quem o olhava.

A força também pega quem a segura.

A segunda metade do ensaio vira a lente. A força embriaga quem a exerce. O vencedor do momento acredita possuí-la e avança além da medida, sem perceber a própria fragilidade.

Os gregos tinham palavra para esse excesso, hýbris (a desmedida de quem passa do limite). Para o castigo que vem atrás, tinham outra, nêmesis (a punição que restabelece o equilíbrio).

Na Ilíada, o castigo sempre chega. Heitor, tonto com a vitória sobre Pátroclo, veste a armadura tirada do cadáver do grego e recusa o conselho de recuar para dentro dos muros. Dias depois, é ele o arrastado.

Aquiles, o arrastador, sabe pela mãe, a deusa Tétis, que o próprio fim vem logo depois do fim de Heitor. Ninguém possui a força de verdade, escreve Weil. Ela apenas empresta o poder e cobra com juros.

Um gerente descobre que pode demitir com um e-mail. No primeiro mês, hesita antes de cada envio e relê o nome de cada pessoa. No sexto, aprova a lista inteira sem abrir o anexo.

 
 

II  Quem pensou

A professora na fábrica

Simone Weil nasceu em Paris em 3 de fevereiro de 1909, numa família judia sem prática religiosa. O pai, Bernard, era médico. O irmão mais velho, André Weil, virou um dos maiores matemáticos do século XX.

No liceu Henri IV, foi aluna do filósofo Alain, que a apelidou de marciana pela seriedade. Em 1928, aos 19 anos, entrou na École Normale Supérieure (Escola Normal Superior, a mais seletiva da França na formação de professores).

Começou a lecionar filosofia em 1931, no liceu de Le Puy. Lá marchou ao lado de desempregados que quebravam pedras para a prefeitura, e a imprensa local fez escândalo com a professora que andava com operários.

Em dezembro de 1934, pediu licença do magistério e entrou como operária na fábrica Alsthom, em Paris. Depois passou pelas forjas de Basse-Indre e, de junho a agosto de 1935, pela linha da Renault, em Boulogne-Billancourt.

Anotava os dias num diário de fábrica. Registrava peças por hora, gritos de chefe, multas por atraso e o cansaço que apagava o pensamento no meio da tarde. Na própria pele, descobriu o que significa virar ferramenta.

“Recebi para sempre a marca da escravidão.”

Simone Weil, carta ao padre Joseph-Marie Perrin, 1942

Em agosto de 1936, atravessou a fronteira para lutar na Guerra Civil Espanhola, na coluna anarquista de Buenaventura Durruti. Míope e desajeitada, pisou numa panela de óleo fervente no acampamento e queimou a perna. Os pais foram buscá-la.

Na Espanha, ouviu companheiros de coluna contarem, rindo, o fuzilamento de um rapaz de 15 anos do lado inimigo. Escreveu sobre o episódio em 1938, numa carta ao romancista Georges Bernanos.

Ela viu a força dos dois lados da arma.

O ensaio nasceu dessa soma. Weil começou a escrevê-lo quando a guerra estourou, em setembro de 1939. Em junho de 1940, os alemães entraram em Paris, e a família fugiu para Marselha, na zona livre.

Em 1942, Weil seguiu com os pais para Nova York e, meses depois, embarcou sozinha para Londres, onde trabalhou para a França Livre do general Charles de Gaulle. Ali escreveu O Enraizamento.

Doente de tuberculose, comia pouco e recusava passar da ração dos franceses sob ocupação. O coração parou em 24 de agosto de 1943, num sanatório de Ashford, na Inglaterra. Tinha 34 anos.

 

Quem banca a edição de hoje

Master Claude AI (Free Guide)

The professionals pulling ahead aren't working more. They're using Claude.

Our free guide will show you how to:

  • Configure Claude to be the perfect assistant

  • Master AI-powered content creation

  • Transform complex data into actionable strategies

  • Harness Claude’s full potential

Transform your workflow with AI and stay ahead of the curve with this comprehensive guide to using Claude at work.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  Contra o quê

Contra a epopeia dos vencedores

O alvo do ensaio é a leitura da guerra como glória. Weil escrevia num continente que ensinava às crianças a admiração pelos conquistadores, de Alexandre a Napoleão, enquanto Hitler e Mussolini prometiam grandeza pelas armas.

Contra essa tradição, ela aponta na Ilíada uma virtude rara, a equidade. Homero chora gregos e troianos com a mesma voz. Nenhum lado ganha o papel de vilão, e cada guerreiro tombado recebe um verso sobre a casa que deixou.

O ponto alto chega no canto 24. Príamo, rei de Troia, entra à noite na tenda de Aquiles para pedir o corpo de Heitor. Ajoelha-se e beija as mãos que mataram tantos de seus filhos.

Os dois choram juntos. O velho chora o filho, e Aquiles chora o pai distante e o amigo Pátroclo. Depois comem, e cada um contempla a beleza do outro. Weil lê ali o raro intervalo em que a força solta as pessoas.

O poema não escolhe vencedor.

Para Weil, o Ocidente perdeu essa equidade. A Eneida, do poeta romano Virgílio, já canta a fundação de Roma pelo lado de quem vence. As canções de gesta medievais repetem o modelo, com heróis cristãos e inimigos sem rosto.

Ela inclui na crítica os relatos de conquista da Bíblia hebraica, onde a vitória militar aparece como sinal de favor divino. Os Evangelhos ficam de fora, porque, a seu ver, retomam o espírito grego na figura de um justo esmagado.

O ensaio também mira a esquerda que Weil conhecia por dentro. Muitos militantes dos anos 1930 viam na violência revolucionária uma força boa, a serviço da justiça. A Espanha tinha mostrado a ela o contrário: a arma embriaga quem a empunha, qualquer que seja a bandeira.

“Só é capaz de amor e de justiça quem conhece o império da força e sabe não respeitá-lo.”

Simone Weil, A Ilíada ou o poema da força, 1940

O remédio proposto é modesto. Weil pede só que se conheça a força sem admirá-la, e que se perceba nela uma tendência de toda alma humana, inclusive a de quem lê.

Um pai encerra a discussão com o filho adolescente subindo o volume da voz. A porta do quarto bate. Na manhã seguinte, o café sai em silêncio, e o filho responde apenas sim e não.

Weil mandou o texto para Marselha em 1940, já proibida de dar aula. Os leitores o receberam impresso sob o nome de Émile Novis.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Por que Simone Weil assinou o ensaio sobre a Ilíada como Émile Novis?

 
 
Quiz da edição

Em qual revista e quando o ensaio de Simone Weil sobre a Ilíada foi publicado?

ANouvelle Revue Française, em 1938
BCahiers du Sud, em dezembro de 1940 e janeiro de 1941
CLes Temps Modernes, em 1945
DMercure de France, em 1939

Resultado da última edição: 100% acertaram.

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🦉🦉🦉🦉🦉  ótima 🦉🦉🦉🦉  boa 🦉🦉🦉  ok 🦉🦉  ruim 🦉  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 20/10, 15h30

A Princípio Responsabilidade de Jonas →
B Honesto e Útil em Cícero →
C Eternidade de Boécio →
D Imaterialismo de Berkeley →
 
Recomendação de Newsletter
Versículo do Dia

Versículo do Dia

Todo dia, 05:05. Um versículo, o contexto que 2.000 anos de distância esconderam e o que muda quando você entende.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

Amanhã, outra ideia grande.

Filosofia do Dia

FILOSOFIA DO DIA

Uma ideia grande por dia

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter