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Marco Túlio Cícero nasceu em 3 de janeiro de 106 a.C., em Arpino, cidade a sudeste de Roma, numa família de cavaleiros sem nenhum senador entre os antepassados. Em Roma, isso o fazia um homem novo (novus homo, o primeiro da linhagem a chegar ao Senado).
Subiu pela palavra. Advogado nos tribunais, venceu causas famosas e chegou ao consulado, o cargo mais alto da República, em 63 a.C. Naquele ano desmontou a conspiração de Lúcio Sérgio Catilina e mandou executar cinco conspiradores sem julgamento.
A decisão lhe custou caro. Em 58 a.C. foi exilado, teve a casa do Palatino demolida e só voltou a Roma no ano seguinte. Na guerra civil entre César e Pompeu, ficou do lado de Pompeu, perdeu e recebeu o perdão de César.
Em fevereiro de 45 a.C., a filha Túlia faleceu depois de um parto. Cícero se refugiou nos livros. Em menos de dois anos escreveu as Discussões Tusculanas, Sobre a Natureza dos Deuses, Sobre a Velhice, Sobre a Amizade e, por último, Dos Deveres.
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Escreveu sobre o dever com a espada de Antônio à vista.
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O livro nasceu entre setembro e dezembro de 44 a.C. No mesmo outono, Cícero atacava no Senado o cônsul Marco Antônio com as Filípicas, discursos batizados em memória dos ataques do grego Demóstenes contra Filipe da Macedônia. Teoria moral e combate político saíam da mesma mesa.
O destinatário era o filho, Marco, então com 21 anos. O rapaz estudava em Atenas com Crátipo, filósofo da escola de Aristóteles, e recebia do pai uma mesada de 80 mil sestércios, valor registrado nas cartas de Cícero ao amigo Ático.
Os relatos que chegavam de Atenas preocupavam. Marco bebia, gastava e andava com um professor de retórica chamado Górgias, que o pai mandou afastar. Numa carta a Tirão, o secretário da família, o próprio rapaz admitiu os excessos e prometeu emenda.
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“Já faz um ano, Marco, meu filho, que você ouve Crátipo, e isso em Atenas; deve estar bem provido de preceitos e doutrinas.”
Cícero, Dos Deveres, livro I, 44 a.C.
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A frase de abertura soa como elogio e funciona como cobrança. O pai lembra ao filho quanto custa estar onde está e o que se espera de quem teve tanto.
O tom do livro inteiro segue essa linha de carta. Cícero fala em primeira pessoa, cita a própria experiência de cônsul e mistura exemplos gregos com casos de tribunais romanos que o filho conhecia de nome.
Durante a Idade Média, Dos Deveres foi copiado em mosteiros e lido como manual de conduta. Em 1465, saiu numa das primeiras edições impressas de um clássico latino, feita em Mainz, na oficina de Johann Fust e Peter Schöffer, antigos sócios de Gutenberg.
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