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Christine de Pizan nasceu em Veneza em 1364. O pai, Tommaso da Pizzano, médico e astrólogo formado em Bolonha, foi chamado a Paris pelo rei Carlos V em 1368, e a família seguiu atrás dele.
A menina cresceu perto da corte. O pai deixou a filha estudar latim e ler na biblioteca do rei, contra a vontade da mãe, que preferia vê-la fiando.
Em 1379, aos quinze anos, Christine casou com Étienne du Castel, notário e secretário real. O casamento foi feliz e deu três filhos.
A sorte virou em sequência. Carlos V faleceu em 1380, e o pai perdeu o prestígio e o salário. Em 1390, Étienne pegou uma epidemia em Beauvais, durante uma viagem com o rei, e não voltou.
Aos 25 anos, Christine ficou com três filhos, a mãe e uma sobrinha para sustentar. Credores apareceram com dívidas antigas do marido, e ela passou anos em processos nos tribunais de Paris.
Na metade da década de 1390, começou a escrever baladas de luto e de amor. Os poemas circularam entre nobres, e as encomendas vieram: em 1404, o duque Filipe da Borgonha pediu a ela a biografia de Carlos V.
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A pena sustentava a casa inteira.
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Ela vendia livros prontos. Escolhia copistas, contratava pintores e montava os volumes para cada cliente. Na Cidade das Damas, elogia uma iluminadora de Paris chamada Anastaise, a melhor da cidade em margens e fundos de miniatura.
Em 1403, num poema longo sobre a própria vida, explicou a viuvez com uma imagem de metamorfose. A Fortuna, conta ela, a transformou para que pudesse conduzir o barco da família sozinha.
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“De mulher, tornei-me homem.”
Christine de Pizan, O Livro da Mutação de Fortuna, 1403
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A Cidade das Damas saiu em 1405, e no mesmo ano veio a continuação, O Livro das Três Virtudes, um manual para mulheres de todas as condições. Perto de 1414, ela reuniu suas obras num manuscrito para a rainha Isabel da Baviera, hoje guardado na British Library, em Londres.
Em 1418, as tropas da Borgonha tomaram Paris. Christine saiu da cidade e se recolheu na abadia de Poissy, onde a filha era freira dominicana. Passou onze anos sem publicar.
O último texto dela é de 31 de julho de 1429, um poema em louvor de Joana d'Arc. Depois dele, o rastro some. Nenhum documento registra a data nem o lugar da morte, e nenhum túmulo com o nome dela foi encontrado.
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