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Mikhail Mikhailovich Bakhtin nasceu em 16 de novembro de 1895, em Oriol, cidade ao sul de Moscou, filho de um gerente de banco. Estudou letras clássicas e passou a juventude entre Petrogrado, Nevel e Vitebsk.
Nas duas cidades pequenas do oeste russo, entre 1918 e 1924, formou um grupo de leitura com o linguista Valentin Volóchinov, o crítico Pável Medviédev e o filósofo Matvei Kagan. Os estudiosos chamam a turma de Círculo de Bakhtin.
Em dezembro de 1928, a polícia política o prendeu. Bakhtin frequentava um grupo de intelectuais cristãos chamado Voskressênie (Ressurreição), e a acusação foi de atividade religiosa contra o regime.
O livro sobre Dostoiévski saiu meses depois, com o autor ainda sob processo. A sentença previa cinco anos no campo das Ilhas Solovki, no mar Branco.
Dois fatos mudaram o destino. Bakhtin sofria de osteomielite (inflamação crônica do osso) numa perna. E Anatóli Lunatchárski, comissário da educação até aquele ano, publicou em 1929 uma resenha elogiosa do livro na revista Novi Mir.
A pena virou exílio em Kustanai, no Cazaquistão, de 1930 a 1936. Ali Bakhtin trabalhou como contador numa cooperativa e dava aulas de contabilidade aos funcionários.
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Bakhtin passou décadas sem leitores e não parou de escrever.
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Em 1938 a perna doente foi amputada. No pós-guerra ele ensinou no instituto pedagógico de Saransk, na Mordóvia, longe das grandes universidades.
Em 1946 defendeu no Instituto Górki, em Moscou, uma tese sobre Rabelais e a cultura popular do riso. A banca discutiu se dava o doutorado. O ministério concedeu só o título menor, de candidato, em 1951.
Em 1960, três estudantes do mesmo Instituto Górki, Vadim Kójinov, Serguei Botcharov e Gueórgui Gatchev, descobriram que o autor do livro de 1929 continuava vivo. Escreveram a ele em Saransk.
A insistência dos três trouxe a segunda edição, de 1963, revista e ampliada, agora com o título Problemas da Poética de Dostoiévski. O livro sobre Rabelais saiu em 1965.
Uma dúvida segue aberta até hoje. Alguns livros publicados com o nome de Volóchinov e de Medviédev, como Marxismo e Filosofia da Linguagem, de 1929, foram atribuídos depois ao próprio Bakhtin. Ele nunca confirmou nem negou por escrito, e os documentos da época não resolvem a autoria.
Bakhtin morreu em Moscou em 7 de março de 1975, aos 79 anos. A fama mundial veio depois. Em 1967, a pesquisadora búlgara Julia Kristeva o apresentou a Paris e cunhou, a partir dele, a palavra intertextualidade (o diálogo de um texto com outros textos).
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